O GRITO DOS EXCLUIDOS
Diversas pastorais e movimentos organizados se reuniram no último
dia 7 de setembro, para o Grito dos Excluídos, em sua 13°
edição no Brasil, para se manifestar a favor dos mais
pobres e excluídos do país por um Brasil mais justo
e independente de fato. Com o apoio da CNBB, o Grito dos Excluídos
nesta edição, lançou o Plebiscito para a anulação
da Vale do Rio Doce, uma das maiores empresas mineradoras do Brasil
que foi privatizada em 1997 pelo governo do então presidente
Fernando Henrique Cardoso.
Aproximadamente 10 mil pessoas, após missa
na Catedral da Sé, presidida por Dom Pedro Luiz Stringhini,
saíram em caminhada até o Museu do Ipiranga. Foram
duas horas de caminhada sob o sol forte, embaladas por cantos e
manifestações de diferentes movimentos sociais organizados,
entre eles as pastorais Operária e Carcerária, a do
Menor e a Pastoral da Juventude; entre outros Movimentos estavam
presentes os Sem Terra, os Sem Teto, o Educafro, a Conlutas e diversos
Sindicatos e Associações preocupados e comprometidos
com a justiça social.
A Região Brasilândia esteve presente,
no Grito dos Excluídos e mais de 100 pessoas participaram,
durante a semana, de caminhadas por toda a região; em entrevista
à PASCOM, o Pe. Luis Renato, jesuíta do centro Anchietanum,
que participou pela primeira vez da caminhada, nos disse ter se
sentido muito acolhido e admirado com o carinho que recebeu por
todas as comunidades que passou.
O Plebiscito da Vale do Rio Doce, também
foi abordado em nossa comunidade, durante a Semana da Pátria,
na secretaria paroquial, uma urna foi depositada para que todos
os agentes de pastoral e demais interessados, se manifestassem diante
da Privatização da Vale do Rio Doce, que foi construída
com dinheiro público e agora trabalhadores da Vale denunciam
o não-pagamento de horas in itinere e do turno ininterrupto
de revezamento. O período in itinere é o tempo que
o trabalhador leva para se locomover até o local de trabalho,
quando este é de difícil acesso e não há
transporte público que realize o trajeto. Por lei, este período
deve ser somado à jornada diária de trabalho.
por Karla Maria/
PASCOM |
Confira a carta de Dom Pedro Luiz Stringhini, referente ao Plebiscito que aconteceu na Semana da Pátria
"COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL PARA O SERVIÇO DA
CARIDADE,
DA JUSTIÇA E DA PAZ"
Aos irmãos e irmãs das Dioceses, Paróquias e Comunidades de Base da nossa Igreja Católica. Na Semana da Pátria deste ano será realizado o Plebiscito Popular sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce e sobre outros temas ligados aos direitos sociais, em cuja promoção e defesa nossa Igreja sempre esteve empenhada. Nós, bispos da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB - Dom Pedro Luiz Stringhini, Dom José Luiz Ferreira Salles, Dom Guilherme Antônio Werlang, Dom Ladislau Biernaski, Dom Demétrio Valentini e Dom Maurício Grotto -, convidamos, em nome das Pastorais Sociais, a todos e todas a participarem deste Plebiscito. Estimulamos também a disponibilização de espaços para a realização deste exercício de cidadania em que as Pastorais Sociais são coordenadoras junto com movimentos e organizações da sociedade Civil. O leilão de privatização está sendo julgado pelo Judiciário, mobilizado por mais de 100 ações que contestam a sua legalidade. E como definiu Dom Luciano Mendes de Almeida, de saudosa memória, em audiência pública pouco antes do leilão de 1997, esse ato não foi ético. Dizia ele: - "ninguém pode vender uma empresa como a Vale do Rio Doce essa sem ter informado o povo do seu valor real, do seu significado histórico, cultural, político..." - "ninguém pode vender o chão do país..." - "uma transação que toca na herança de todo um povo... não pode ser feita sem informar, formar e consultar o próprio povo". Contando com a participação e colaboração todos os irmãos e irmãs, recebam nosso abraço afetuoso.
Em Cristo,
Assina Dom Pedro Luiz Stringhini (em nome do demais bispos da Comissão)
Brasília, 18 de agosto de 2007.
fonte: www.cnbb.org.br "
REPERCUSSÃO DO GRITO DOS EXCLUÍDOS EM TODO O PAÍS
O 13º do Grito dos/as Excluídos/as reúne cerca de 330 mil pessoas em todo o Brasil. A estimativa é de que mais de 2 mil cidades participem por todo o país, o movimento segue com o lema: Isto não Vale! Queremos participação no destino da nação. O movimento discute a fraudulenta privatização da Vale do Rio Doce, em 1997; a prioridade do governo em pagar os juros da dívida externa e interna em detrimento das políticas sociais; a campanha contra os altos preços da energia elétrica, - o baixo preço da tarifa é uma vantagem importante no mercado internacional de siderurgia. A Vale consome 5% da energia produzida no Brasil; e também um questionamento sobre as reformas, especialmente a previdenciária, que retira direito dos trabalhadores.
Nos estados do Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro estimam-se aproximadamente 17 mil urnas e 34 mil voluntários, segundo dados preliminares dos organizadores.
Os Estados brasileiros participaram ativamente na luta em defesa dos direitos populares.
Em São Paulo, na cidade de Aparecida, 97 mil pessoas compareceram nas manifestações do Grito e da 20ª Romaria dos Trabalhadores/as e votaram no plebiscito. Na capital paulista 13 mil pessoas caminharam da Catedral da Sé até o Monumento do Ipiranga.
Mais de 1,8 mil manifestantes seguiram pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Saíram da rodoviária em direção à Catedral, mas foram barrados em frente à Biblioteca Nacional pela polícia militar, impedindo a manifestação.
No nordeste do Brasil mais de 100 mil pessoas se manifestaram.
Em Salvador o Grito e o plebiscito reuniram 30 mil pessoas. No interior da Bahia são 40 cidades com manifestações e 70 mil participantes. Fortaleza 10 mil pessoas se encontraram na Praça 31 de março.
Em João Pessoa, na Paraíba, 1,5 mil pessoas caminharam em direção ao desfile oficial onde foram barrados pela tropa de choque e contou com a participação de muitos jovens.
Em São Luis, no Maranhão, houve manifestação de panfletagem durante o desfile oficial.
Em Minas Gerais, 10 mil pessoas animaram o Grito com cartazes e faixas diversificadas. Os organizadores pretendem atingir mais 50% das cidades com o plebiscito.
A concentração na cidade de Goiânia reuniu 300 pessoas em frente ao banco Bradesco, um dos avaliadores e compradores da empresa, Vale do Rio Doce.
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul 200 pessoas carregando faixas com dizeres relacionados a não privatização e anulação do leilão da Vale. No estado 30 mil pessoas participaram.
No estado do Pará, 50 mil participantes usaram como símbolo uma carteira de trabalho gigante para registrar o protesto contra a reforma da previdência, um dos temas do plebiscito.
Em 9 cidades de Santa Catarina, 5 mil pessoas saíram às ruas. Tendo como ponto forte no estado o plebiscito organizado em 70% dos municípios.
Na grande Curitiba, 800 pessoas de comunidades indígenas e catadores de materiais recicláveis denunciaram a precariedade das moradias nas reservas e a falta de condições de trabalho. No estado o plebiscito está ocorrendo em 80% dos municípios.
Em Roraima mil manifestantes concentraram-se na periferia da cidade e deslocaram-se ao longo de 4 km paralelamente ao desfile oficial.
Na cidade de Porto Alegre 1,5 mil pessoas concentraram-se no largo Glenio Peres e seguiram em marcha até a Praça Brique da Redenção, onde vários movimentos se somaram a manifestação e realizaram o plebiscito popular.
Os protestos resgataram a cultura popular e os manifestantes carregaram faixas e cartazes que lembraram o lema do movimento: "Isto não VALE! Queremos participação no destino da nação" e o Plebiscito da Vale do Rio Doce. A votação segue até o próximo domingo, dia 9, e seu resultado será divulgado à sociedade no dia 25 de setembro, em Brasília, e entregue ao Legislativo, Judiciário e Executivo.
Informações relativas ao plebiscito podem ser obtidas no site www.avaleenossa.org.br.
Mais Informações: Secretaria Nacional do Grito dos/as Excluídos/as (11) 2272-0627 / (11) 9116-3721
fonte: www.avaleenossa.org.br |