MISSA EM MEMÓRIA AOS FALECIDOS           e . . .

Nesta noite, recordamos e rezamos pelos nossos entes queridos, parentes e amigos da comunidade, ou que passaram por nossas vidas e foram de encontro ao Senhor!

Aqueles que quiseram, depositaram em uma urna defronte ao altar, os nomes das pessoas queridas, que já não se encontram entre nós. Rezamos em intenção a todos os falecidos, para que estejam iluminados e em PAZ na nova caminhada.

A perda de um ente querido sempre nos deixa tristes e o sentimento de perda é grande.

o padre Ricardo falou: "Nunca conseguimos olhar para a situação da morte com tranquilidade, a morte sempre nos atinge e é uma dor muito grande para nós, por mais que tenhamos fé, por mais que creiamos na palavra de Deus, por mais que sabemos que o nosso Deus é o Deus da Vida, por mais que sabemos que Jesus foi vitorioso com a sua ressurreição, vencendo a morte, nós às vezes temos certas dificuldades. A gente nunca soube perder, nós não sabemos trabalhar com perdas, desde que nascemos, nós nascemos para ganhar, e cada não que a gente esculta, cada perda que a gente tem é sempre muito doloroso, difícil de aceitar.
Se quando a gente perde algumas coisas materiais é difícil, quando a gente perde alguma coisa que a gente tem carinho, tipo um animalzinho de estimação, ou um bem nosso que nos foi "tirado", a gente não se conforma muito, imaginem quando se perde uma pessoa humana, que partilhou conosco a sua vida, com mixto de alegrias, com misto de tristezas, enfim, partilhou a sua vida conosco, nós temos dificuldades em aceitar e compreender isso, mas sempre a vida tem esse reverso, a gente vai buscar força na palavra de Deus. E a gente se conforma também, da nossa relação de amizade, das pessoas que são solidárias conosco nesses momentos de dor.
Então hoje, em comunidade, a gente está aqui para, com carinho, lembrar aquelas pessoas falecidas, pedindo a Deus que a doce dor da saudade, lembrando as coisas bonitas conseguidas que essas pessoas deixaram e assim marcaram a sua vida, que a gente honre as suas memórias, ao estar repetindo as qualidades e as coisas boas construídas ao longo das suas vidas e que marcaram também as nossas vidas. Então, em comunidade, nós demonstramos a nossa solidariedade uns com os outros, cada qual com as suas dores e assim também se partilha um pouco das nossas aflições e busca nessa partilha, um refúgio, a gente busca nessa partilha, a esperança, a solidificação de nossa fé e a esperança da nossa própria ressurreição.
É bom sempre lembrar. Quando a gente reflete, lembra das pessoas falecidas, a gente deve lembrar também que é uma realidade pela qual nós também vamos passar. É importante a gente refletir, se estamos caminhando para a ressurreição eterna, se estamos vivendo de acordo com o Evangelho e assim poderemos escutar de Jesus um dia: Vinde bendito de meu Pai, toma posse do reino que preparei para você, desde o início dos tempos. Ou, se a nossa vida tem sido uma vida ao contrário dessa, uma vida que não se habilita tal qual o Evangelho e aí, nós estamos buscando a nossa condenação eterna.

Que o Cristo Vida, Cristo Ressurreição, tome conta do coração de cada um de nós, nos encha de esperança e também possa ter umas palavras de Jesus para amenizar a dor da partida de pessoas amadas, de pessoas queridas".

Adaptação do texto: Pinheiro


A seguir, o padre Ricardo nos convidou a participar do:

. . .  Sermão das Sete Palavras


Entoada pelo José Sérgio, a Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

  "Meu Pai, perdoa-lhes, porque nÃo sabem o que fazem" (Clique e veja clipe)

               No auge do sofrimento, Cristo não perde a dimensão da fragilidade do ser humano e implora o perdão para nossas culpas. Seu sangue derramado na cruz nos torna limpos para voltar à casa paterna. Mas somos também capazes de perdoar a nós mesmos e aos outros? Quando oramos: "Perdoai-nos, assim como perdoamos", sabemos o que pedimos? Aceitamo-nos incondicionalmente como somos e nos respeitamos? Quem não perdoa a si mesmo não perdoa a ninguém mais. Quem não se aceita não aceita aos outros. Pois para isso é necessário que se reconheça as próprias dificuldades e limitações, esforçando-se para se corrigir. E, dessa mesma forma, agir sempre com os outros.

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

   "Hoje mesmo estarÁs comigo no Paraíso".  (Clique)

              Sentindo dores, o homem crucificado ao lado de Jesus não o insultou como os demais. Ao contrário, pediu e recebeu o seu perdão incondicional e imediato. Cristo não lhe prometeu o paraíso para depois. Tampouco lhe falou de novas vidas ou de reencarnações. "Hoje mesmo" - afirmou Jesus! E quantos de nós desacreditamos nessa misericórdia divina, acreditando que somente nosso esforço, nesta e em outras vidas, nos tornará dignos de voltar ao Pai.

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

     "SENHORA, EIS TEU FILHO. EIS TUA MÃE!"   (Clique)

           Apesar de todas as nossas infidelidades, ele não nos deixou órfãos: deu a sua própria mãe como nossa mãe. Mas seremos dignos de ser filhos daquela que disse o sim, totalmente incondicional, quando convidada a ser parte essencial do plano de Deus para nos salvar? Seremos nós também capazes de dar esse sim incondicional e, em cada atividade, testemunhar o Evangelho sem timidez? Não fomos feitos filhos adotivos de Maria e, por consequência, irmãos de Jesus Cristo, apenas para nos vangloriarmos de ser cristãos, sacerdotes ou ministros extraordinários da Igreja. Somente tomando consciência disso, ouviremos de Jesus: "Filho, eis aí tua mãe!

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

       "TENHO SEDE, TENHO SEDE!"   (Clique)

            Jesus teve sede, mas ao invés de água, deram-lhe vinagre. Também para nós Jesus vive a dizer: "Tenho sede! Tenho sede de homens e mulheres, adultos e jovens, que caminhem comigo. Que não tenham medo de correr riscos, que não se apeguem a títulos, cargos e aos bens transitórios deste mundo. Que estejam dispostos a levar a boa nova a todas as criaturas. Tenho sede de justiça e de trabalho para todos, pois afinal meu Pai não criou o mundo só para alguns, mas indistintamente para todos. Tenho sede de pessoas que não aceitem o erro, porque é muito difícil combatê-lo. Tenho sede de ver a humanidade inteira totalmente feliz! Saciem, pois, essa minha sede, e a minha redenção pela cruz estará plenamente realizada!"

 

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

     "MEU PAI, POR QUE ME ABANDONASTE?"  (Clique)

          Teria Deus abandonando seu Filho na cruz? Certamente que não. Contudo, a natureza humana de Jesus sofria tanto que ele sentiu falta do carinho de seu e nosso Pai. Quantas vezes nós também gritamos a mesma coisa, porém sem qualquer convicção de que Deus nos escuta. Quantas vezes passamos meses e anos esquecidos de Deus, nunca nos lembrando de conversar com ele, agradecendo tudo o que dele recebemos. Mas, quando nos sobrevém qualquer sofrimento e a dor nos atinge, gritamos revoltados: "Por que nos abandonastes?" Mas não é ele quem nos abandona: nós é que o abandonamos. E, de repente, queremos atribuir a ele todos os sofrimentos que nós mesmos criamos, para nós e para os outros. Fazemos de nossa relação com Deus uma transação comercial: "Eu lhe dou esmolas e orações apressadas, em compensação quero receber tudo aquilo que penso ter direito. E, se não recebo o que quero, protesto: "Por que me abandonaste?"

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

        "MEU PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO MEU ESPÍRITO!"  (Clique)

   

            Chega ao final a agonia da cruz, Cristo entrega-se totalmente nas mãos do Pai. Um dia, ao entregarmos também nosso espírito nas mãos do Pai, com certeza ele não nos perguntará pelas grandes obras que fizemos, mas pelas pequeninas coisas que deixamos de fazer. Voltar ao Calvário é redirecionar nossa vida. É tomar a decisão corajosa de entregar ao Pai não somente nosso espírito, mas nossas mãos, nosso coração, nossa mente e toda a nossa vida. Com certeza, ele já está de braços abertos a nossa espera.

Antífona: Ó vós todos que passais pelo caminho...

Coro: Considerai e vede se há uma dor maior que a minha dor! (bis)

Padre Ricardo:

      "ESTÁ TUDO CONSUMADO!"    (Clique)

             Jesus Cristo olha, do alto da cruz, o novo mundo que começa: a humanidade recebe, em letras de lágrimas, suor e sangue, e sua quitação por todas as dívidas assumidas. Mas estará tudo consumado para cada um de nós em particular? Será que nada mais tenho a fazer? Posso me esquecer que Cristo não permanece morto, que ele ressuscitou e está presente em cada ser humano? Posso entrar numa aposentadoria espiritual, nada mais fazendo porque Cristo já fez tudo por nós? Jesus consumou sua obra redentora na cruz. Mas foi exatamente ali que começou a nossa obra pessoal como redimidos e discípulos de Cristo. Tudo estará consumado quando conseguirmos expulsar deste mundo o egoísmo, a injustiça, o desamor, a miséria e a falta de oportunidade para todos.

Após breve silêncio, a missa teve prosseguimento, com os ritos tradicionais.

 

Adaptação do Texto para a
celebração: José Sérgio

 

 

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