QUINTA-FEIRA SANTA

LAVA-PÉS 

Um gesto profético.
O Lava-pés é um gesto
profético, um sinal que
mostra à Igreja, ao longo dos tempos, a direção a seguir.
Ao lavar os pés aos discípulos, Jesus deu, a eles e a nós, um exemplo de como nos devemos comportar uns com os outros.

Incita-nos a tomarmos a iniciativa, a adiantarmo-nos a saudar, a perdoar, a nem sequer permitirmos que nos passe pela cabeça que valemos mais do que seja qual for dos nossos irmãos.

Quantas vezes os discípulos rivalizaram entre si e discutiram qual deles era o maior! Esse modo de pensar também existe entre membros da mesma família, até mesmo nas comunidades eclesiais. Jesus previne: «Não seja assim entre vós; pelo contrário, quem quiser fazer-se grande entre vós, seja vosso servo. E quem quiser ser o primeiro no meio de vós, seja vosso escravo.
Do mesmo modo, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pelo resgate de muitos» (Mt 20, 26-28).

Não em teoria, mas no concreto, como no Lava-pés da Última Ceia. A glória de Deus, a sua bondade transparece quando o amor se abaixa até ao chão. A concepção de honra é invertida de forma radical.
O Lava-pés não foi apenas um apelo moral; foi, sim, uma revelação de amor de Deus, admiravelmente próximo dos homens. Revelação já feita na ida de Jesus aos pobres, doentes, pecadores, … um amor «até ao extremo» (Jo 13, 1). «Dei-vos o exemplo, para que, como Eu vos fiz, façais vós também» (Jo 13, 15). «Uma vez que sabeis estas coisas, felizes sereis se as puserdes em prática» (Jo 13, 17)

Que testamento, o de Jesus! Celebramos a instituição da Eucaristia – mistério da fé. Festejamos o sacerdócio («Fazei isto em memória de Mim»). Escutamos o mandamento novo do amor e o apelo à unidade, a «oração sacerdotal» de Jesus pelos seus discípulos e pelos que, por eles, chegariam à fé.
Em ambiente de despedida dolorosa, dá-nos Jesus a sua paz e uma alegria que ninguém nos poderá tirar. Consola-nos com a palavra: «Tende confiança, Eu venci o mundo» (Jo 17, 33). Um autêntico testamento, repleto de «invenções do amor»!

Neste dia, seria bom que, além de participarmos na Missa da Ceia do Senhor, dedicássemos o tempo necessário a lermos o capítulo sexto do Evangelho de S. João, em que se narra a multiplicação dos pães e se escuta o discurso de Jesus sobre o pão da vida, a que se segue a confissão de Pedro: «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 1- 71).

Ler também, do mesmo evangelista S. João, os capítulos 13, 14, 15, 16 e 17, que nos transmitem os acontecimentos da Última Ceia do Senhor com os seus.

Ler, refletir, tirar proveito!

Fonte: Revista O Mensageiro (Portugal)
Site: http://www.ppcj.pt/AO/bn.htm

Adaptação e Ilustração: Pinheiro/PASCOM

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