NESTA SEMANA, REPRODUZIMOS NESTE ESPAÇO, ARTIGOS DO SITE DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO,
SOBRE A HISTÓRIA E O CENTENÁRIO DA ARQUIDIOCESE. Site: www.arquidiocese-sp.org.br

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NÃO ESQUEÇAM: ESTAMOS TODOS CONVIDADOS PARA O SHOW, SEGUIDO DE MISSA, QUE SERÃO REALIZADOS
NO DIA 08/06/2.008 -13:00Hs., NO ESTÁDIO DO PACAEMBÚ, EM COMEMORAÇÃO AO CENTENÁRIO.

1252OUÇA O HINO do centenário.

ORAÇÃO  E  LEMA

 

CARDEAL ARNS, ESTA IGREJA CENTENÁRIA
O AMA MUITO.

Para nova Arquidiocese, nova catedral foi erguida

Várias igrejas serviram de catedral provisória

Monsenhor Trivinho conta detalhes sobre o primeiro arcebispo

Cabido é reestruturado no nascer da Arquidiocese

Arquidiocese tem uma santa em sua história

Dom Duarte criou a Liga das Senhoras Católicas


Para nova Arquidiocese, nova catedral foi erguida

No dia 25 de janeiro de 1912, três anos e meio após a criação da Província Eclesiástica de São Paulo e a conseqüente mudança da Igreja de São Paulo de diocese para Arquidiocese, aconteceu a primeira reunião em que se decidiu a construção de uma nova catedral de São Paulo, a mesma que hoje aponta suas torres para o céu convidando a cidade à transcendência, à comunhão com Deus. Decidida a construção, no dia 6 de julho de 1913 foi lançada a pedra fundamental. O projeto é do arquiteto e professor de Arquitetura da Escola Politécnica o alemão Maximilian Emil Hehl. Quarenta anos depois, no dia 25 de janeiro de 1954, era inaugurada a catedral, quando a cidade comemorava o seu quarto centenário. Foi uma inauguração feita às pressas, é verdade, faltavam as duas torres principais. A Arquidiocese passou então a ter a sua catedral definitiva que, restaurada e concluída no arcebispado de dom Cláudio Hummes (1998-2006), é um orgulho para a comunidade católica da cidade. Vale lembrar um pouco a história das catedrais da cidade.

Em 1591, foi instalada a primeira versão do que seria a Catedral da Sé. A escolha do terreno foi feita pelo cacique Tibiriçá. A construção foi feita em taipa de pilão, processo em que se socavam barro e palha entre toras de madeira. É bom que se diga que não era uma catedral ainda. Afinal de contas, a Diocese de São Paulo só seria criada em 1745. Aí sim, a velha matriz ganhou o título de catedral. Logo depois, porém, se chegou à conclusão de que a diocese recém-instalada necessitaria de uma nova Sé, de uma nova catedral. Em 1745, portanto, começou a construção da segunda matriz da Sé, no mesmo terreno da primeira. Ao lado dela, uma outra Igreja dedicada a São Pedro da Pedra. Os dois templos, porém, tiveram de er demolidos. Era preciso alargar a praça da Sé e, na praça, praça, a nova catedral, a que hoje contemplamos com orgulho ali, bem perto da Capela do Colégio que deu início à cidade de São Paulo. A construção da catedral teve lances interessantes. As pedras que formavam as paredes eram trazidas da Itália para o Brasil em navios. Até que um navio carregado de pedras naufragou e se decidiu usar o novo granito brasileiro. Monsenhor Antônio Trivinho recorda seus passeios pelo centro da cidade quando se divertia vendo o movimento dos trabalhadores burilando os blocos de granito. Encantava ver a participação de movimentos, associações no esforço de concluir as obras, ver também as listas de ontribuições recolhidas para que o monumento fosse concluído. O Arquivo Metropolitano conserva os registros desse esforço do povo de Deus. Em conjunto com a bonita história da construção do templo há outras histórias não menos fascinantes. Ela foi transformada em local onde pessoas de diferentes credos, lideradas por dom Paulo Evaristo Arns, começaram a dizer de forma mais explícita um não à ditadura militar. Ela aponta suas torres para o céu como a dizer que esta cidade não pode ser apenas cidade dos homens. Tem que ser também cidade de Deus. Com o crescimento da cidade para cima e para os lados, ela necessitou de transporte de massa. E veio o metrô. Ao lado da Catedral a imensa estação da Sé, engolindo e liberando milhões de pessoas diariamente. E o trepidar dos trens acabou por provocar preocupantes rachaduras nas paredes do grandioso templo. As talvez providenciais rachaduras fizeram o sexto arcebispo, o cardeal Hummes, empreender não só a reforma, mas a conclusão do templo com queria o projeto inicial. Mas aí já são outras histórias. Fica aqui o registro de mais uma iluminação de dom Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo desta centenária Arquidiocese: dar início às obras de uma grandiosa e definitiva catedral.

fonte: Jornal O São Paulo

Várias igrejas serviram de catedral provisória

Do Livro “Carmo Patrimônio da História, Arte e Fé” Igreja do Carmo, demolida em 1926, foi primeira catedral provisória A reunião que decidiu sobre a construção da nova catedral de São Paulo aconteceu no dia 25 de janeiro de 1912, quase dois meses após dom Duarte Leopoldo e Silva ter celebrado a última missa na velha catedral. A celebração aconteceu no dia 8 de dezembro de 1911 e pode-se imaginar o clima de emoção com que foi realizada. O arcebispo, logo após a celebração, saiu em procissão com o Santíssimo Sacramento para levá-lo ao Convento do Carmo, que funcionaria como catedral provisória. Os serviços do culto e a Irmandade do Santíssimo Sacramento passaram a funcionar na chamada Igreja da Boa Morte. No dia 11 de maio de 1912, começou a demolição da velha catedral. Dois meses depois, foi celebrada missa solene de lançamento da primeira pedra da nova. Foi na tarde de 6 de julho de 1913 – um acontecimento marcado pela emoção. O “Correio Paulistano” registrou cada momento da celebração que mexeu com o centro da cidade. Dizia o jornal que “as duas e meia da tarde já se espremia no local uma multidão considerável, onde se viam representantes de todas as classes sociais, confraternizadas num misto de religião e patriotismo”. Dom Duarte foi em procissão da catedral provisória (a Igreja do Carmo) ao local da construção, acompanhado do cabido, do clero, dos seminaristas, das autoridades civis, e solenemente abençoou a pedra fundamental. Logo após, dom Sebastião Leme, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, fez um discurso de 25 minutos, considerado uma “peça magistral”. Disse o orador: “São Paulo, centro de cultura, de indústria, das artes e das letras, e porque não dizê-lo também da religião! São Paulo, senhores, não é com interesse regional que eu falo, ponto convergente dos embaixadores do trabalho, que de outras plagas aqui portam, com o seu progresso concretizado as novas e belas construções, nos monumentos do povo e do governo, devia por certo concretizar também o seu patriotismo, as suas tradições de fé no ais belo monumento do Brasil inteiro!” Começava, então, o longo período de construção. Dom Duarte, o primeiro arcebispo, dava os passos iniciais. No ano de 1926, 13 anos após o início das obras, o governo do Estado desapropriou o convento e a Igreja do Carmo. A primeira catedral provisória deixava de existir. No dia 23 de março daquele ano, o Cabido, que se reunia na Igreja do Carmo, recebeu um comunicado: a sala para as reuniões capitulares (as reuniões dos cônegos) será em uma das dependências da Igreja da Boa Morte, bem como as missas capitulares na cripta da catedral em construção. Isso mesmo! Já estava pronta a cripta da nova catedral, e os cônegos já podiam e reunir nela. como aconteceu com a velha catedral, que teve uma última missa que encerrava suas atividades, a primeira catedral provisória, a Igreja do Carmo, também teve sua última missa solene, celebrada por frei Canísio Mulderman, prior do convento que seria destruído. A imagem de Nossa Senhora do Carmo foi colocada em uma capela provisória na rua Martiniano de Carvalho. A Igreja Santa Cecília teve a honra de acolher o arcebispo para as celebrações da Semana Santana durante quatro anos, de 1926 a 1930. Não há registro, porém, que ela tenha sido declarada catedral provisória. Provavelmente, o arcebispo tenha preferido Santa Cecília por ser uma igreja mais ampla. A catedral provisória continuava sendo mesmo a Igreja da Boa Morte. Tanto que o livro do tombo registra que no ano de 1930 a festa de Corpus Christi oi celebrada nessa Igreja. Lá se lê que “a solene procissão saiu da Igreja da Boa Morte, servindo de catedral, às 14h”. Em 9 de julho de 1930, dom Duarte mudou a catedral provisória para a Igreja Santa Ifigênia, transferindo para o mesmo templo a sede do curato. Em 1954, como se sabe, a nova catedral foi inaugurada às pressas, por conta da celebração do quarto centenário da cidade de São Paulo. A Igreja da Consolação foi também por algum tempo “igreja-mãe” quando da reforma efetuada por dom Cláudio Hummes, o sexto arcebispo, que concluiu as obras da Catedral Metropolitana.

fonte: Jornal O São Paulo

 

Monsenhor Trivinho conta detalhes sobre o primeiro arcebispo

Felizmente a história dos inícios de nossa Arquidiocese está bem documentada. Não faltam no Arquivo Metropolitano de São Paulo documentos relatando o trabalho imenso de dom Duarte Leopoldo e Silva para colocar a nova Arquidiocese no rumo do futuro. Dom Duarte cunhou no seu brasão episcopal o lema que iria nortear se ofício de pastor. “Firmitas et auctoritas” – Firmeza e autoridade.

De fato, foi com firmeza e autoridade que ele cuidou de tantas coisas, como organizar o Arquivo Metropolitano, tocar as obras da Catedral da Sé, construir o Seminário do Ipiranga, acolher congregações religiosas, criar novas paróquias e tantas outras realizações que atravessaram o século 20 e agora se lançam pelo século 21 afora.

Se não faltam documentos relatando a firmeza e a autoridade de dom Duarte, também não faltam testemunhas vivas do seu episcopado. Uma delas é monsenhor Antonio Trivinho, que por um mês secretariou o primeiro arcebispo e depois colaborou com os demais que vieram depois. Cônego Trivinho, nasceu no dia dez de março de 1911, três anos depois da elevação da diocese de São Paulo a Arquidiocese.
Em 1924 ele entrou para o seminário de Pirapora. Em dezembro de 1936, ordenou- se padre. Portanto, dos cem anos da Arquidiocese ele viveu e participou ativamente da caminhada dela 89 anos.
O jornal O SÃO PAULO tinha que ouvir monsenhor Trivinho. E ouviu! Para ele, se existe alguém que escolheu um lema de vida e o viveu intensamente foi o primeiro arcebispo de São Paulo. “Firmeza e autoridade” era o lema. “E ele foi homem de muita firmeza e autoridade” garante monsenhor Trivinho, e já vem logo com uma história curiosa. Foi assim:
Durante a revolução de 1932, para circular pelo Estado de São Paulo era necessário um salvo conduto. Em certa ocasião, dom Duarte Leopoldo e Silva descansava numa casa de veraneio da Arquidiocese, em Santos. Monsenhor Trivinho estava com ele. Subindo de carro para São Paulo, um soldado pára o carro e pede o documento.
O jovem Trivinho, sem o seu salvo conduto, tenta explicar ao soldado que ali estava o arcebispo de São Paulo. O arcebispo pergunta então: “O que o soldado quer?” “O salvo conduto, explica Trivinho. Eu esqueci em Santos.” E o arcebispo: “Voltemos para pegá-lo. Lei é lei!”

“Outra vez, diz monsenhor Trivinho, eu estava ajudando-o numa missa. De repente percebi que ele tinha pulado um trecho da missa. Com muito receio avisei a ele: ‘Dom Duarte, o senhor pulou um trecho da missa’. ‘Não pulei, não!’ retrucou ele. Ele consultou, porém, o missal e prontamente declarou: “Pulei sim!” E voltou ao trecho que tinha pulado.
Homem fino, bem educado, dom Duarte sabia também ser sensível. Conta monsenhor Trivinho que as refeições no palácio episcopal e na casa de veraneio em São Vicente eram feitas com requinte e fineza, fato que o deixava muito acanhado e... com fome.
Certa noite, após um daqueles jantares mais refinados, o jovem seminarista, de noite, fez uma incursão na cozinha com outro colega. Estavam eles matando a fome quando entra o arcebispo e os flagra assaltando a cozinha. “Desculpem- me, disse dom Duarte, vim pegar um copo d´água, porque me dói a cabeça.” No dia seguinte, durante o almoço diz dom Duarte: “Rapazes, vocês precisam se alimentar direito e sem receio, senão terão que ir à cozinha de noite para matar a fome”.
Homem de fé, dom Duarte, durante as férias, saía de carro pelas cidades de São Vicente. Cada vez que passava por uma Igreja, religiosamente ele dizia ao “chofer”: “Pare aqui! Vou fazer uma visita ao Santíssimo.” “Um dia ele entrou numa igreja no momento em que o padre fazia o sermão. “O pobre padre ao ver o arcebispo na sua igreja não conseguiu mais falar. Perdeu totalmente o fio da meada.”
Monsenhor Trivinho conta mais um fato curioso. “Grande pregador, dom Duarte escrevia os seus sermões e os decorava. Certamente no Arquivo podem ser encontrados seus sermões.”
E monsenhor Trivinho acrescenta: Tímido como eu era, assim que me ordenei padre, dois anos antes de dom Duarte morrer, fui a ele e falei de minha dificuldade em falar em público. E ele me aconselhou: “Escreva seus sermões e os decore!”
Monsenhor Trivinho conclui: “Dom Duarte foi o arcebispo certo para a Arquidiocese que começava. Era o tempo dos barões do café e ele soube lidar com eles para o bem da Igreja”.

fonte: Jornal O São Paulo

 

Cabido é reestruturado no nascer da Arquidiocese

É preciso que se diga que a bula "Candor Lucis Aeternae", pela qual o papa Bento 15, no dia 6 de dezembro de 1745, criou a diocese de São Paulo, instituiu ao mesmo tempo o Cabido da Sé Catedral e nomeou o primeiro bispo local, dom Bernardo Rodrigues Siqueira. No dia 25 de janeiro de 1747, foi instalado o cabido e dada posse aos primeiros cônegos. Trata-se, portanto, de uma instituição que tem praticamente a idade da própria Igreja particular. O Cabido da diocese de São Paulo regeu-se pelas Constituições do Cabido da Bahia, de 1707, e assim foi até 1827. Coube a dom Manoel Joaquim Gonçalves de Andrade, em 1847, aprovar os estatutos próprios do Cabido Diocesano de São Paulo. Será na mudança da diocese de São Paulo em Arquidiocese, pouco menos de um ano após dom Duarte Leopoldo e Silva assumir como primeiro arcebispo, que o Cabido Diocesano se tornará Cabido Metropolitano e será reestruturado.

De início, uma pequena dificuldade. Quem manteria o Cabido? E como se regeria? Transcrevemos aqui as concessões concedidas ao Cabido de São Paulo, como mais um gesto de carinho do papa Pio 10º pelo Brasil. A solicitação de dom Duarte, endereçada ao papa pelo secretário da Sagrada Congregação do Concílio, afirmava ser conveniente dar uma organização melhor ao Corpo Capitular, ou seja, ao Cabido Metropolitano. O que pediu dom Duarte? Diz o documento: 1. O Cabido da Igreja Catedral de São Paulo no Brasil será composto de quatro dignatários: arcediago, arcipreste, chantre e tesoureiro- mor; 2. Além dos capitulares, haverá seis mansionários, sacerdotes ou clérigos a serviço do coro; 3. A primeira dignidade, isto é, o arcediago, será nomeado pela Santa Sé, e as outras dignidades bem como os cônegos serão nomeados pelo ordinário (o bispo), conforme os decretos do Concílio Latino-americanos; 4. O ordinário poderá dispensar da residência os capitulares que julgar necessários para o serviço nas paróquias, ou para outros ministérios sagrados, somente quando o permitir o serviço da Igreja Catedral e o exigirem as necessidades a diocese; 5. Os capitulares usarão capa roxa nos pontificais e nas outras solenidades de primeira classe quando estiver o bispo diocesano; 6. Os privilégios dos atais cônegos honorários serão mantidos; daqui por diante, porém, serão nomeados somente dez cônegos honorários, cujos privilégios serão os concedidos pelo direito comum; 7. O bispo diocesano, com o conselho do Cabido, estabelecerá o serviço do coro, os ofícios e deveres dos capitulares, enquanto não esteja constituído o patrimônio do Cabido, para a manutenção dos mesmos capitulares e do erviço do culto; No dia 1º de março de 1908, o papa Pio 10º deu sim a todos os pedidos de dom Duarte, com a condição de que os cônegos honorários sejam nomeados entre os padres da Arquidiocese e na forma do direito. Em 1917, todos os estatutos dos cabidos tiveram de se adaptar às normas do Código de Direito Canônico publicado por Bento 15. Em 1940, o Cabido Metropolitano e São Paulo reformou ais uma vez seus estatutos por exigência do Concílio Plenário Brasileiro de 1939. A última e definitiva reforma do Cabido foi em 1984, por iniciativa de dom Paulo Evaristo Arns. Dali em diante, o Cabido Metropolitano assumiu a direção do Arquivo Metropolitano, que leva hoje o nome de dom Duarte Leopoldo e Silva e assessora o arcebispo nas questões ligadas ao patrimônio histórico e artístico da Arquidiocese. É preciso que se diga que, embora a partir do Concílio Vaticano 2º os cabidos tenham cedido lugar aos conselhos de presbíteros, em São Paulo o Cabido Metropolitano continua privilegiado, até porque ele nasceu com a diocese de São Paulo e ganhou força quando a diocese se transformou em Arquidiocese. Grandes nomes marcados pela santidade de vida e pela folha de serviços à Igreja no campo do serviço pastoral e da reflexão teológica integraram o Cabido Metropolitano.

fonte: Jornal O São Paulo

 

Arquidiocese tem uma santa em sua história

A história dos cem anos da Arquidiocese tem no início uma página que, segundo os critérios humanos, poderia parecer sombria. Deus, porém, não pensa como os homens, e da página que poderia parecer sombria fez uma página cheia de luz.
Como esquecer que bem no começo da Arquidiocese três irmãzinhas, falando com dificuldade o português por serem migrantes italianas chegaram de Nova Trento (SC) à cidade de São Paulo? Elas pertenciam à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Foram trazidas por iniciativa do conde José de Azevedo. De novo esse homem, rico por fora e por dentro, construiu a Casa da Sagrada Família para abrigar escravos idosos, crianças órfãs, descendentes de escravos.

A congregação se plantou em São Paulo. Entre as três irmãzinhas, uma delas, a fundadora da congregação, seria a primeira santa brasileira. Da humilhação que lhe foi imposta por dom Duarte Leopoldo e Silva e da aceitação serena da humilhação, ela dava mais uma amostra de sua fidelidade a Deus e, hoje, não só o Brasil, mas todo o mundo católico a invoca como Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Amábile Lucia Visintainer nasceu em 1865, em Vigolo, Trento, Itália. Era a segunda filha dos camponeses Napoleone Visintainer e Anna Planezzer. Ela chegou ao Brasil com nove anos. Sua família e outras vindas da terra natal se instalaram na então Província de Santa Catarina. Ela perdeu a mãe em 1887 e passou a cuidar do pai e dos irmãos até seu pai casar-se de novo. Logo seu carinho pelos necessitados se fez notar. Juntou-se a uma amiga em 1890 e acolheu uma doente com câncer em fase terminal. Desse jeito simples nasceu a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.
Em 1903, aquele que foi o último bispo e o primeiro arcebispo de São Paulo recebeu na diocese madre Paulina e suas duas companheira. Elas foram morar no Ipiranga (zona sul) e começaram a missão que lhes foi confiada. Foi em 1909, um ano após a criação da Arquidiocese e da posse de dom Duarte como primeiro arcebispo, que a grande sombra cobriu a vida de madre Paulina e de sua congregação.
Sendo madre Paulina a superiora da congregação e da Casa da Sagrada Família, na sua simplicidade e ao mesmo tempo firmeza, demonstrou estranheza pelo fato de uma senhora rica da sociedade paulistana, benfeitora da obra, estar a dar ordens lá dentro. Dom Duarte interpretou como ingratidão a atitude de madre Paulina e a destituiu do cargo de superiora geral e vitalícia da congregação que ela mesma havia fundado. Demonstrando mais rigor ainda, dom Duarte a enviou para Bragança Paulista para trabalhar com os doentes da Santa Casa e com os velhinhos do Asilo São Vicente de Paulo. Dá para imaginar aquela irmãzinha de joelhos diante do arcebispo, sendo totalmente aniquilada dizendo sim a ele, entregando sua congregação, passando de fundadora e superiora a súdita. Durante dez anos, madre Paulina permaneceu em Bragança.
Ela voltou para a “casamãe” da congregação, no Ipiranga, em 1918, com a permissão do arcebispo. No silêncio, na oração, na assistência às irmãs enfermas, foi relatando os passos iniciais da congregação que escrevia sua história.
Dom Duarte faleceu em 1933, ano em que a congregação foi recompensada com um decreto de louvor da Santa Sé. E quando se comemoraram os 50 anos de fundação, em 12 de julho de 1940, madre Paulina escreveu seu testamento espiritual, exortando as irmãs à humildade e à confiança na divina providência. Com a certeza de quem enfrentou tempestades, disse ela: “Nunca desanimeis, embora venham ventos contrários”. O diabetes e suas complicações foram minando as forças de madre Paulina.
Teve o dedo médio e, depois, o braço direito amputados e ficou cega. Faleceu no dia 9 de julho de 1942. “Seja feita a vontade de Deus” foram suas últimas palavras. No dia 18 de outubro de 1991, foi beatificada pelo papa João Paulo 2º, que a incluiu na lista dos santos da Igreja em 19 de maio de 2002. A imigrante madre Paulina tornou-se a protetora dos migrantes da cidade de São Paulo, do Brasil e do mundo.

fonte: Jornal O São Paulo

 

Dom Duarte criou a Liga das Senhoras Católicas

Nesta coluna dedicada a fazer memória dos cem anos da Arquidiocese de São Paulo, estamos nos detendo por um tempo mais longo sobre o arcebispado de dom Duarte Leopoldo e Silva por duas razões muito forte. A primeira é que o arcebispado de dom Duarte foi o mais longo. A segunda é que dom Duarte soube com um dinamismo incrível, preparar a nova Arquidiocese que nascia para que ela tivesse uma boa estrutura que marcasse no futuro a presença da Igreja na cidade de São Paulo. Nesta edição, queremos lembrar a criação da Liga das Senhoras Católicas que tanto bem vem fazendo, contribuindo, desde 1920, "com ações sócio educativas para conscientizar crianças, jovens e adultos de sua dignidade e de seu potencial transformador". As informações aqui apresentadas foram copiladas do site desta entidade. Quando dom Duarte propôs a criação da Liga das Senhoras Católicas, a aceitação foi imediata, até porque já existia em São Paulo, em 1920, uma Liga das Mães Católicas que, como o nome indica, era destinada a evangelização da família. Foi esse grupo que, a partir de 1921, conforme pediu dom Duarte, passou a chamar-se Liga as Senhoras Católicas. O coração do zeloso arcebispo quis a associação voltada para o desenvolvimento da ação social católica proporcionando à mulher a "oportunidade de lazer, conhecimentos científicos, literários e artísticos, aliada a assistência espiritual e temporal." A oficialização da entidade aconteceu em 10 de março de 1923. Ela ganhou contornos legais com a criação de seu primeiro estatuto e registro em cartório. Ainda naquele mesmo ano a Liga já mostrou sua vocação de serviço a criar o departamento e Auxílio Social. No ano seguinte, é fundada a Escola de Economia Doméstica, voltada para o preparo de meninas de todas as camadas sociais. E vieram mais tarde outros serviços. A Liga das Senhoras Católicas criou um restaurante exclusivo para mulheres, com preços populares para as jovens que trabalhavam no comércio do Centro de São Paulo. Na revolução de 1932, ainda sob o arcebispado de dom Duarte, a Liga das Senhoras Católicas se fez presente com o Posto Piratininga, para socorrer os soldados combatentes e coletar sangue para os hospitais. Este Posto depois se transformou em Departamento de Assistência à Família dos Combatentes que aparou órfãos, mutilados e viúvas. A Liga das Senhoras Católicas de São Paulo, conforme se lê em seus estatutos, "é uma sociedade civil de direito privado, de assistência social e fins filantrópicos, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal". Sua história de 80 anos mostra uma atividade constante voltada para a promoção humana e o socorro da infância e adolescência, da juventude e também dos adultos e idosos. Esta vocação de serviço mereceu o reconhecimento da sociedade, uma vez que em 1997 e 2000 e 2006 a Liga das Senhoras Católicas foi contemplada com o prêmio "Bem Eficiente da Kanitz Associados". A Liga figura entre as 50 entidades beneficentes melhor administradas do Brasil. Hoje a Liga atende a diferentes comunidades de São Paulo oferecendo em Centros de Educa;ao Infantil e no Educandário Dom Duarte, educação formal, educação continuada (esportes, artes e extensão curricular), formação profissional, alimentação, recreação, assistência médica, orientação psico-pedagógica; orientação à comunidade, programas de saúde, programas para a terceira idade e assistência a idosos. Neste trabalho atuam 200 voluntários e mais de 725 colaboradores que atendem diretamente por mês três mil pessoas e indiretamente seis mil pessoas por mês. Na Liga, unidades chamadas de Provedoras coletam os recursos para manter as seis Unidades Assistenciais. As entidades provedoras são o Colégio Santa Amália 1 e 2, o Lar Sant´Ana, o Recanto Monte Alegre, Plaza 50 e Flat residência e Residência Capote Valente.. Cerca de 3% dos recursos necessários para manter as Unidades Assistidas vêm destas Unidades Provedoras. Como se percebe, os recursos gerados não são suficientes, mas a entidade batalha pela sua auto-suficiência financeira e conta com a participação da sociedade, com o trabalho voluntário, com doações para atingi-la.

fonte: Jornal O São Paulo

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